Alunos

Poema: Um povo de mil faces

Poema escrito por Marcela Antunes

Marcela (Arquivo pessoal)

Escrito por Marcela Antunes

27 SET 2021 - 15H45

Reprodução: Internet Rostos (Reprodução: Internet)

Brasil, Brasilidade, Brasiliano, Brasiliense

Algo ao jeito de alien

Pairando para sempre a meio centímetro do chão real da América

Do centro da bruma da língua portuguesa

De onde veio o mulato, o samba, ou mesmo, o arroz com feijão

De onde saiu a miscigenação.


Brasil primeiramente é um nome

Nome que não nomina etnia, nem tampouco algum lugar

Nome oriundo de um produto de exploração

De Pindorama, à Vera Cruz, à Terra Nova, dos Papagaios

Vera Cruz, Santa Cruz

Ò Jesus!

Terra de Santa Cruz do Brasil, Terra do Brasil,

E finalmente... Brasil

Que de pau-brasil já não tem mais nada.


O país não é promessa significante

Exceto da extração de riquezas

Os recém-chegados nos 1500

Não tinham o mínimo espírito de acolhimento

Só queriam saber do enriquecimento

Da bravura lusitana de desbravamento

Veja o achamento!

Tudo isso em nome de Deus

E o povo que à Deus dará.


E é então que o país vira “nação”

Mesmo sem nenhum planejamento ou política de imigração

Vagas humanas grotescas

Ancoraram nessa aldeia burlesca

Tendo como único móvel

Encontrar o deleite econômico.


Assim, grupos de imigrantes

Tornam-se participantes

Mas permanecem como dessemelhantes

Nessa terra sempre obstante

E desse modo, surgem os vários “Brasis”

Chineses viram japoneses

Árabes se tornam ancestrais de indígenas

Italianos do Tirol acabam por austríacos

E nós nos geramos como todos eles

Ou como um pouquinho de cada um


Mas falta em tudo isso algo ao jeito de alma

mago, bojo, medula

Entretanto, o que sobra é entender que não existe apenas um

O coração do Brasil é mesmo a diversidade

Após gerações e gerações

Brasileiros continuam sendo estrangeiros

Isso tudo não é exótico só para os turistas

Mas também para nós que não temos simetria

Negociando a identidade nacional (Lesser)

(Viva o carnaval!)

Numa busca eterna por sair da alegoria.


Talvez sejamos só uma cara desfigurada

Nariz acima dos olhos que estão abaixo da boca

Nem brancos, pretos, amarelos ou vermelhos

Somos de todas as cores

Ou talvez, de cor nenhuma

Somos de todos os formatos

Ou talvez, sem formatação

Somos só um povo sem identificação,

Se identificando com todos os povos

E tentando dar um jeito na busca pelo ócio.


Daqui saíram Vinícius, Jobim e Chico Buarque

João Gilberto, Gil e Caetano

Rita Lee, Marisa e Djavan

Cazuza e Elis

Machado de Assis, Monteiro Lobato, Drummond, Cecília e Clarice

João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Guimarães Rosa e Verissimo

Também aqui nasceram Pelé, Ayrton Senna, Daiane dos Santos, Guga e Oscar(es) – Schmidt e Niemeyer

Fernanda Montenegro, Lázaro Ramos e Nelson Rodrigues

Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Candido Portinari,

Di Cavalcanti, Hélio Oiticica, Lygia Clark e a Pape, Aleijadinho

Mônica Alvarenga e Guataçara

Múltiplos em histórias e concepções.


É aqui que se junta gaúcho com nordestina,

Churrasco com baião de dois

Se mistura o tchê com oxente

E só vê no que dá depois

Qual a identidade brasileira?

A verdade é que essa resposta não existe

Latinos, americanos, moradores do planeta Terra

Somos tipicamente multiculturais

Um povo de mil faces.


Com supervisão de Yeda Vasconcelos, jornalista do Meon Jovem.





Escrito por
Marcela (Arquivo pessoal)
Marcela Antunes

Colégio Univap Centro - 1º Ano Técnico de Publicidade

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