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Juros fecham perto da estabilidade e confirmam aposta em corte maior da Selic

Em um pregão morno e de liquidez reduzida, os juros futuros pouco se mexeram e encerraram a sessão regular entre estabilidade e leve queda. Segundo operadores, após o realinhamento das taxas ontem, desencadeado pelo IPCA-15 de julho e pela antecipação das regras de saques do FGTS (anunciadas oficialmente hoje), houve um processo natural de acomodação.

Na parte mais curta da curva a termo, houve uma consolidação da aposta majoritária em corte da taxa Selic em 0,50 ponto porcentual, para 6% ao ano, no encontro do Copom na semana que vem (dias 30 e 31). Na parte mais longa, houve uma pequena redução de prêmios, em sintonia com a perspectiva de afrouxamento monetário na Zona do Euro, com reunião do Banco Central Europeu (BCE) amanhã, e nos Estados Unidos.

A taxa do contrato do DI para janeiro de 2010 - principal veículo para apostas sobre o nível da Selic no fim deste ano - encerrou o pregão a 5,585%, ante 5,593% no ajuste de ontem. Na parte intermediária da curva, o contrato com vencimento em janeiro de 2021 fechou estável em 5,41%, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2023 recuou de 6,31% para 6,27%. Entre os longos, mais ligados à percepção de risco e ao ambiente externo, o DI para janeiro de 2025 passou de 6,87% para 6,83%.

O governo divulgou as novas regras de saques de FGTS no leilão de fechamento do mercado de juros futuros, mas as taxas não reagiram, dado que não houve surpresas. Como adiantado pelo Broadcast/Estadão, será possível sacar, neste primeiro momento, R$ 500 por conta. A projeção é de injeção de R$ 30 bilhões na economia neste ano - R$ 28 bilhões do FGTS e R$ 2 bilhões do PIS/Pasep. Para 2020, quando haverá a opção do "saque aniversário", a liberação adicional de recursos do FGTS é estimada em R$ 12 bilhões.

Após o fechamento desta quarta-feira, as taxas futuras seguem refletindo, como observado ontem, cerca de 70% de chances de redução da Selic em 0,50 ponto porcentual. Trata-se de uma mudança expressiva em relação à primeira semana de julho, quando predominava a aposta em corte de 0,25 ponto.

Para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Carlos Thadeu de Freitas, a migração do mercado para um corte maior está ancorada em uma lista de argumentos fortes, que vão desde a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara até o quadro de inflação benigno e de atividade econômica muito enfraquecida.

"O BC atrelou o corte de juros a um evento, que era a aprovação da Previdência. Não faz sentido agora ser gradual e cortar apenas 0,25 ponto. A não ser que o BC force a barra e diga que a reforma ainda precisa passar pelo Senado", diz o economista, ressaltando que, além dos fatores domésticos, o ambiente externo também é favorável, já que haverá um "corte de juros também nas economias centrais".

Freitas trabalha com um ciclo de afrouxamento monetário de 1,50 ponto porcentual, com três cortes seguidos de 0,50 ponto, o que levaria a taxa Selic a 5%. Para o economista, faria até sentido adotar uma postura mais agressiva e encurtar o ciclo, com uma redução já de 0,75 ponto porcentual. "No limite, poderia ser tudo de uma vez só. Mas talvez o país não esteja pronto para um choque de juros. Então, tem que ser em duas ou três vezes", diz o economista.

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