Por Gabriel Campoy Em RMVale Atualizada em 25 MAR 2021 - 20H44

Após confusão com um médico na Santa Casa de Cachoeira Paulista, vereadores se pronunciam sobre o ocorrido

O profissional estava em horário de descanso quando os vereadores entraram no local, fizeram acusações de descaso e filmaram




Uma confusão entre os vereadores Felipe Piscina (DEM), Max Barros (DEM) e um médico chamou a atenção de toda população de Cachoeira Paulista nesta quarta-feira (24), na Santa Casa da cidade. Segundo os políticos, após uma série de denúncias de descaso, feitas pela população em geral no telefone de um deles, ambos se dirigiram à unidade de saúde e, ao chegarem no local, teriam presenciado diversas pessoas esperando atendimento há mais duas horas.

Inconformados com a situação, os dois teriam entrado no hospital e encontraram o médico plantonista, dormindo em uma sala de descanso. O profissional de saúde, de acordo com o vídeo, teria argumentado que estaria cansado por conta das longas horas de atendimento e que por isso, como previsto por lei, teria o direito de descansar.

Após a repercussão negativa do caso nas redes sociais e nos aplicativos de conversa, o vereador Felipe Piscina se pronunciou em um vídeo publicado na sua página do Facebook nesta quinta-feira (25). Nele, o vereador pede desculpas pela forma que falou com o médico, mas reitera que foi chamado pelas próprias pessoas que estavam na fila de atendimento e que nenhum funcionário da Santa Casa veio até ele para explicar a situação.

Redes Sociais
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Felipe Piscina, vereador de Cachoeira Paulista


"Quando cheguei no Pronto Socorro as pessoas vieram até mim. Muitos falaram que estavam esperando há mais de duas horas. Quero esclarecer que não foi politicagem o meu ato. Eu realmente fiquei indignado com o que aconteceu, mas não queria causar tumulto. Eu queria ver, as pessoas que me criticaram, se fosse o amigo, pai ou filho de vocês naquela situação, se não ficariam da mesma forma. Não apareceu ninguém da enfermagem para me avisar o que estava ocorrendo. Quero pedir desculpa a todos que se sentiram ofendidos e ao médico, pela forma com a qual falei com ele", disse o parlamentar.

Já o outro vereador que estava no local, Max Barros, em conversa com a reportagem do Portal Meon, afirmou que não havia outro médico para  atendimento da população no momento em que chegaram ao local. Segundo ele, o profissional só apareceu após a confusão que foi gerada.

"As pessoas estavam lá fora esperando e não tinha ninguém para realizar o atendimento. Quando chegamos ao Pronto Socorro era essa a situação. Só depois, após o início da confusão, das cobranças realizadas por mim e pelo vereador Felipe, um outro profissional apareceu e começou a pegar os prontuários das pessoas para atendê-las", afirmou o vereador Max Barros.


Santa Casa se pronuncia através nota

Em comunicado, a assessoria de imprensa da Santa Casa fez questão de ratificar o previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em que qualquer serviço contínuo, cuja duração exceda seis horas, torna-se obrigatória a concessão de um intervalo para repouso e alimentação de, no mínimo, uma hora. Além disso, de acordo com o artigo 8º, inciso 1º da Lei 3.999/61, a cada noventa minutos de trabalho médico, o profissional tem direito devido de um intervalo de dez minutos.

A instituição afirmou que tomará "medidas judiciais cabíveis" em relação ao ocorrido. Confira a nota na íntegra:

"Os médicos e todos os profissionais de saúde têm direito ao tratamento digno e boas condições de trabalho. Não pode, não aceitamos e não permitiremos tratamento vexatório e ameaçador por estarem na área de repouso, durante regime de trabalho de 12/24 horas de plantão, o que lhes é assegurado por lei. A Resolução Cremesp 90/202 estabelece que atividades em regime de plantão, os médicos devem dispor de condições que permitam pausas compensatórias e conforto. Também de acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), dispõe que em qualquer trabalho continuado cuja duração passe de 6 horas, é obrigatório a cessão de intervalo para repouso e alimentação, o qual será, no mínimo, de uma hora.

A Santa Casa repudia o ataque dos vereadores Felipe Piscina e Max Barros, que deslancharam uma operação com objetivo único de constranger o médico em seu local de trabalho e no seu direito ao descanso. No momento em que a atividade médica torna-se ainda mais fundamental, é inaceitável qualquer forma de desrespeito às categorias que estão expostas aos riscos de contrair a Covid-19. Nossa assessoria jurídica está acionando as medidas judiciais cabíveis. Tenham mais respeito com os profissionais da saúde", finaliza. 




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