Por João Pedro Teles Em RMVale

Após reclamações, empresa quer refazer grafiti apagado em Taubaté

Corretora recebeu críticas após apagar parte de obra em muro da cidade

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Obra foi parcialmente apagada por propaganda da empresa

Reprodução/Facebook

Após gerar protestos ao apagar parte de um grafite na avenida Marechal Artur Costa, em Taubaté, a Corretora Rodrigo Camargo prometeu que irá rever sua posição. Por meio de um post em sua página no Facebook, publicado nesta quinta (22), a empresa afirma que o espaço receberá uma nova arte.

A polêmica começou na última terça-feira (20), quando uma postagem revelou que a arte foi apagada pela metade para que fosse colocada, em seu lugar, uma publicidade da corretora. A foto com o antes e o depois do muro, postada no Facebook no mesmo dia, foi compartilhada por cerca de 800 pessoas.

No post em que tenta se retratar com os moradores insatisfeitos, a corretora afirma que errou ao apagar o grafite. “Erramos ao tentar pintar a memória de uma cidade. Erramos ao fazer sobressair o marketing à arte. Erramos”, afirma.

Nossa ideia não é estragar a arte da cidade, revitalizaremos o local

Rodrigo Camargo Empresário

Proprietário da empresa, Rodrigo Camargo afirma que já entrou em contato com o artista que fez a o desenho para encontrar uma maneira de realizar uma nova arte no local.

“Vamos fazer essa arte novamente. Eu não sou formado em publicidade, quando aluguei, pedi para que a agência colocasse a propaganda. Quando a pintura começou, comecei a receber as reclamações. Mas nossa ideia não é estragar a arte da cidade, vamos estudar a melhor forma para revitalizar o local”, afirma.

Além das reclamações na internet, pessoas chegaram a tocar a campainha do prédio e reclamar pessoalmente com os funcionários da corretora.

Para o artista Felipe Rezende, o IFI, o barulho em torno do caso mostra como a arte pode ajudar as pessoas a se apropriarem de um espaço público e zelarem pela sua manutenção.

“Eu, quando olhei, fiquei surpreso. A gente sabe que a arte de rua tem sua efemeridade, não fica ali para sempre. Na verdade fiquei neutro, o menino estava ali quietinho, como se fosse uma tatuagem esquecida no centro urbano. Quando a pintura veio, é que tomei ciência de que a pintura já tinha virado um patrimônio para a cidade, e que as pessoas se apossaram e defenderam aquilo”, conta.

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Grafiti antes da pintura do novo proprietário

Reprodução/Facebook

A ideia agora é de que o mesmo personagem, um menino de rua que dormia no chão, seja pintado de uma forma diferente, em cima do grafite antigo.

A legislação de Taubaté proíbe a publicidade em muros, como prevê o artigo 553. Entretanto, o artista ressalta que esta é uma lei que não “pegou” no município.

“Está no código de postura da cidade que é necessário um tamanho, proporção e volume para as propagandas. Acho que esta questão foi importante inclusive para levantar o questionamento sobre a que é de interesse coletivo e o tema da poluição visual”, afirma.

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