Por Meon Em RMVale

Casal acusa Hospital Municipal por possível negligência após morte de filha durante parto em São José

A Prefeitura nega conduta ou falha que pudesse ocasionar o óbito fetal

enxoval

A família já havia feito o enxoval da criança

Reprodução/Arquivo Pessoal

Um casal de São José dos Campos acusa o Hospital Municipal, na Vila Industrial, por possível negligência médica que teria resultado na morte da filha deles. A queixa foi apresentada na manhã da última terça-feira (17), no 1º DP, no centro da cidade. O corpo de Antonella Pereira Vinhas foi enterrado na quinta-feira (18), no cemitério Colônia Paraíso, no Jardim Morumbi. A Prefeitura nega conduta ou falha que pudesse ocasionar o óbito (veja a nota abaixo).

Por decisão do casal, a reportagem preservou a identidade de ambos. No dia 11 de julho, a mãe de Antonella, de 28 anos, passou pela última consulta do pré-natal, na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Cerejeiras, na zona leste. Na ocasião, relatou ao médico que estava sentindo fortes dores e o mesmo teria constatado que a paciente estava com dois dedos de dilatação e em trabalho de parto. A paciente estava na 39ª semana de gravidez. 

 Segundo a mãe, o médico teria prescrito uma indicação para que ela desse entrada no Hospital Municipal, e então,  fosse internada. “Chegando lá, o médico confirmou que eu estava com 2 dedos de dilatação, mas disse que minha bolsa não tinha rompido e me dispensou”, disse.

Quando eu olhei para o lado vi a pediatra tentando reanimar minha filha, mas já era tarde demais porque ela já estava morta

 lamenta a mãe

A mãe foi embora sentindo fortes dores quando, na segunda-feira (15), ela procurou o HM novamente porque não estaria suportando o mal-estar. “Cheguei no hospital por volta das 2h da madrugada, fui examinada por uma médica e essa disse que minha bolsa já havia rompido. Nessa altura, já estava com nove de dilatação e a médica disse que só faltava um dedo para a minha filha nascer. A médica ouviu os batimentos cardíacos do bebê e disse que estava bem fraco”, complementou.

Com isso, a mãe teria ido para a sala de parto e uma enfermeira teria dito que a criança já iria nascer. “Fiquei umas 2 horas esperando na sala de parto com muita contração e nada delas fazerem o parto. Toda hora elas vinham com aparelho para ouvir os batimentos, que estavam fracos, mas diziam que estava tudo bem”, conta.

Por volta das 5h, as médicas teriam iniciado o processo de parto normal, como conta a mãe do bebê. “Elas forçaram até o último, tentanto pegar a minha filha, uma com a mão em baixo e outra empurrando minha barriga, até que elas viram que não nascia e falaram que a criança tinha parado de descer. Então, elas me mandaram para a sala de cesaria”, detalhou.

O esposo da paciente não pôde entrar na sala e foi tudo muito rápido, como relata a mãe da criança. “Quando eu vi a minha filha já tinha nascido, mas não ouvi o choro e comecei a perguntar se estava tudo bem. Um médico falou para eu ficar calma, porque eu também estava em risco de morte. Eles tiveram que me reanimar e quando eu olhei para o lado vi a pediatra tentando reanimar minha filha, mas já era tarde demais porque ela já estava morta”.

A mãe conta ainda que a equipe médica teria retirado o útero dela e não teria comunicado ao seu marido ou informado o motivo. A mãe de Antonella tem três filhos e ela nunca tinha passado por isso.

O pai da criança registrou boletim de ocorrência por volta das 19h20 do dia seguinte, na terça-feira (16). A natureza do boletim, que está no 5ª DP, é morte suspeita. O delegado responsável pelo caso, Neimar Camargo, informou que aguarda laudo do IML (Instituto Médico Legal). A família espera por justiça. 

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Nota da Prefeitura na íntegra:

"O Hospital Municipal segue as diretrizes do Ministério da Saúde para a assistência obstétrica e indicação do tipo de parto para cada paciente, segundo suas necessidades.

Da mesma forma, desconhece qualquer orientação quanto a indicação ou não do parto cesariano em virtude de seus custos financeiros, assim como sua equipe de profissionais nega qualquer menção deste teor durante o atendimento à paciente.

 Em análise primária e restrita ao seu prontuário médico, não foi identificada conduta ou falha que pudesse ocasionar o óbito fetal.

 Para uma análise mais aprofundada com todos os envolvidos, foi instaurada uma sindicância interna, com prazo de 30 dias para conclusão, assim como cópia do prontuário remetida para a comissão de ética médica e CRM para melhor averiguação.

 A Secretaria de Saúde também abriu uma abriu uma investigação interna para apurar o caso. A família será chamada e acolhida."

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