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Família denuncia hospital por idoso morrer com Covid-19 depois de ficar internado e receber alta em Taubaté

Quando deu entrada, o idoso testou negativo; a família aponta suposta negligência, pois o paciente não passou por um segundo exame antes de ir pra casa

Escrito por Samuel Strazzer

19 NOV 2020 - 12H00 (Atualizada em 19 NOV 2020 - 12H35)

Divulgação/Arquivo Hospital Regional Taubaté (Divulgação/Arquivo)

A família de um idoso, de 81 anos, enviou uma denúncia ao Conselho de Saúde de Taubaté após ele morrer com Covid-19 depois de ter ficado internado no Hospital Regional com problemas cardíacos e receber alta. O paciente fez um teste para coronavírus quando deu entrada no hospital, que deu negativo. Os familiares reclamam que o idoso não passou por um novo exame antes de ir pra casa.

Ariádine Soares relata que, por volta das 23h30 do dia 5 de outubro, o pai, Ari Soares, foi levado ao pronto socorro do Hospital Municipal, pois estava com insuficiência cardíaca. Segundo ela, o paciente ficou sem leito em uma cadeira até 7h do dia seguinte.

Em seguida, o idoso foi atendido e a médica de plantão informou que seria necessário recorrer a intubação. Nesse momento ele foi levado para um leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Por conta dos sintomas de falta de ar, ele foi testado para Covid-19, mas deu negativo.

No dia 19 daquele mês, ele foi transferido para a enfermaria por apresentar melhora e no dia seguinte recebeu alta. A família afirma que, antes de ir pra casa, questionou o hospital se o paciente havia passado por um segundo teste de Covid-19 e, ainda de acordo com o relato da filha, um médico da unidade afirmou que sim.

Em casa, os familiares procuraram a informação sobre o segundo teste nos laudos médicos, mas não encontrou nenhuma informação.

Sete dias depois de receber alta, Ari começou a ter febre, passar mal e retornou para o Hospital. Ele foi testado novamente e desta vez foi diagnosticado com coronavírus. Ele permaneceu internado por mais 15 dias e faleceu. A filha afirma ainda que o pai também contraiu outra bactéria.

A família questiona a conduta do hospital por não ter feito um exame de Covid-19 antes de dar alta ao paciente na primeira internação. Dizem ainda que cinco pessoas da família foram contaminadas desde então, uma delas a esposa de Ari, que precisou ser internada na UTI e segue no hospital.


O que diz o Hospital?

Segundo a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, o idoso foi submetido a somente um exame para Covid-19. O segundo exame não foi feito, pois, ainda segundo o Estado, o paciente não apresentava sintomas ao receber alta.

Por nota, a Secretaria de Saúde informou que Ari Soares foi atendido no primeiro momento como um paciente com suspeita de Covid-19, pois apresentava insuficiência respiratória. Contudo, o idoso testou negativo para o vírus, não teve nenhum contato com outros pacientes e ficou em ambiente controlado.

“Depois da alta hospitalar, é responsabilidade da família e do próprio paciente manter os cuidados necessários de prevenção da Covid-19, com uso de máscaras e higienização adequada, visto que o vírus está em circulação e as pessoas podem se infectar em qualquer espaço”, disse o hospital.


Confira a nota na íntegra:

"O Sr. Ari Soares deu entrada no Hospital Regional do Vale do Paraíba na madrugada do dia 6 de outubro com quadro de insuficiência respiratória, configurando suspeita de COVID-19, além de ter histórico de acompanhamento por problemas cardíacos em outro serviço de saúde.

Foi atendido no Pronto Atendimento e internado em leito isolado de UTI com todo suporte para seu quadro clínico. Passou por exame de PCR e teve diagnóstico negativo de coronavírus. Ele não teve contato com outros pacientes confirmados, nem apresentou sintomas de COVID-19 até sua alta, portanto sem indicação médica de novo exame.

Seguiu assistido na unidade devido à gravidade clínica. Foi transferido da UTI para a enfermaria no dia 19, e teve alta no dia 20 após melhora. Depois da alta hospitalar, é responsabilidade da família e do próprio paciente manter os cuidados necessários de prevenção da COVID-19, com uso de máscaras e higienização adequada, visto que o vírus está em circulação e as pessoas podem se infectar em qualquer espaço se as medidas sanitárias não forem adequadamente seguidas.

O paciente retornou ao hospital nove dias após a alta com descompensação clínica. Realizou nova coleta e foi transferido para unidade prevista em seu convênio médico. Após este segundo exame, houve a confirmação do diagnóstico de COVID-19.

O Hospital segue todos os protocolos estipulados pelo Ministério da Saúde e está à disposição da família para esclarecimentos".. finaliza a nota

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