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Taxas curtas de juros sobem e longas caem com mercado antecipando Copom 'hawkish'

Os juros de curto prazo fecharam em alta os longos, em queda, nesta véspera da Super Quarta, que terá decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) como destaques da agenda. A expectativa de uma postura mais conservadora do Banco Central - seja endurecendo o tom do comunicado, seja surpreendendo com um aperto na Selic de 1 ponto porcentual - continuou permeando os negócios e adicionando prêmios nos vértices até 2023, com efeito de queda nas demais taxas, alinhadas ainda à valorização do câmbio e melhora na percepção fiscal.

A sinalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de que o reajuste bandeira vermelha 2 deve ultrapassar os 20%, ajudou a manter a ponta curta sob pressão, ao sugerir mais riscos inflacionários num momento em que as expectativas para os preços já estão bem deterioradas.

Em mais um dia de volume forte na ponta curta, a taxa do contrato e Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 5,38%, de 5,344% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2023 fechou a sessão regular em 6,99%, de 6,974% na segunda-feira. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa em 7,97% (8,005% na segunda-feira) e a do DI para janeiro de 2027 recuou para 8,40%, de 8,484%.

Enquanto a retirada do termo "parcial" na referência ao processo de normalização da Selic parece ser consenso, vem crescendo desde a semana passada o debate sobre a possibilidade de o Copom aplicar uma dose de 1 ponto de alta na Selic. "Seria até positivo uma alta de 1 ponto, que caracterizaria um choque monetário não antecipado, com impacto na recuperação da credibilidade da convergência das expectativas à meta de 2022 e no recuo do juro médio e longo no mercado futuro do DI", afirma o economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho.

Nos DIs curtos, a precificação de Selic para o Copom da quarta-feira apontava 25% de probabilidade de aperto de 1 ponto e 75% de chance de aumento de 0,75 ponto.

Após os dados do varejo e serviços de abril e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio terem puxado revisões altistas para o IPCA, a crise hídrica que vai puxar para cima os preços administrados também começa a entrar nas contas do mercado.

Diante da seca histórica nos principais reservatórios, será preciso aumentar os valores das bandeiras tarifárias pelo maior uso de usinas térmicas.

Segundo o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, novos valores devem ser definidos até o final de junho e o valor deve superar o que foi previsto na proposta de revisão da agência. "Com certeza esse valor ainda deve superar um pouco os R$ 7, os 20%", disse, sobre a bandeira vermelha 2.

"É mais um fator de desconforto, dado que a inflação mais alta de 2021 aumenta a inércia para 2022", disse o estrategista-chefe da Renascença DTVM, Sérgio Goldenstein.

Segundo ele, a ponta longa está com comportamento melhor, reagindo à perspectiva de um BC "hawkish" (mais duro) e dando sequência à redução de prêmios devido à melhora do quadro fiscal.

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