Caraguatatuba, São Sebastião e Bertioga se destacam em lista de turismo acessível em SP

Estado reconheceu 15 iniciativas de acessibilidade no turismo; projetos incluem praias, museus, esportes, eventos e patrimônio histórico

Escrito por: Rubens Baracho5 min de leitura
Cláudio Gomes/PMC e Luís Gava/PMC
Cláudio Gomes/PMC e Luís Gava/PMC

Caraguatatuba, São Sebastião e Bertioga estão entre os destinos paulistas que tiveram iniciativas de turismo acessível reconhecidas pelo Governo de São Paulo. Ao todo, 15 projetos foram selecionados como boas práticas no estado, em uma iniciativa que também reúne ações na capital, no ABC Paulista e em cidades do interior.

O reconhecimento foi anunciado na segunda-feira (14), durante evento realizado no Centro TEA Paulista, na zona oeste de São Paulo. O levantamento foi desenvolvido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), Secretaria de Turismo e Viagens de São Paulo (Setur-SP) e Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH-USP).

A pesquisa identificou 308 iniciativas de turismo inclusivo em todo o estado. Desse total, 70 chegaram à fase final e 15 foram selecionadas considerando critérios como inovação, abrangência, participação do público-alvo e possibilidade de replicação.

Litoral Norte reúne iniciativas de praia, esporte e passeios

No Litoral Norte, Caraguatatuba, São Sebastião e Bertioga aparecem com projetos voltados principalmente à ampliação do acesso às praias, atividades esportivas e experiências turísticas.

Caraguatatuba

Caraguatatuba foi reconhecida pelo Programa Praia Acessível, que oferece banho de mar assistido e atividades físicas para pessoas com deficiência e idosos.

A iniciativa utiliza estrutura adaptada para possibilitar que esse público tenha acesso ao lazer e às atividades realizadas na faixa de areia e no mar.

São Sebastião

Em São Sebastião, o destaque foi o Projeto Pé na Estrada, que promove excursões mensais gratuitas e acessíveis destinadas a idosos e pessoas com deficiência.

A proposta busca ampliar o acesso ao turismo e ao lazer, reduzindo barreiras financeiras e de deslocamento.

Bertioga

Bertioga teve duas iniciativas reconhecidas.

O projeto Onda BGF desenvolve tecnologia assistiva artesanal para a prática de esportes náuticos adaptados, como surf, caiaque e stand up paddle.

Também foi reconhecido o trabalho do Sesc Bertioga, que mantém ações de acessibilidade e adaptações em espaços como trilhas, praia e hospedagem.

Capital reúne museus e grandes eventos

São Paulo concentra parte importante dos projetos reconhecidos.

A Inclusão e Acessibilidade em Grandes Eventos, da Prefeitura de São Paulo, foi selecionada por incorporar a acessibilidade ao planejamento de eventos e políticas públicas.

Entre os equipamentos culturais reconhecidos estão três importantes museus da capital.

O Museu do Ipiranga foi destacado pelas rotas universais, recursos táteis e acessibilidade arquitetônica incorporados ao projeto de restauração do prédio.

foto: Ludimila Almeida / Setur-SP

O Museu do Futebol teve reconhecimento por ações que combinam arquitetura adaptada, recursos de comunicação e participação de profissionais com deficiência.

Já a Pinacoteca de São Paulo foi selecionada por seus programas educativos e políticas de diversidade e acessibilidade.

Outro projeto da capital é o Avenida Paulista às Cegas, desenvolvido em parceria com o Santos às Cegas, que utiliza mediação tátil, maquetes em 3D e mobilidade ativa para apresentar o patrimônio urbano a pessoas com deficiência visual.

ABC Paulista aposta em ciência e turismo industrial

No ABC Paulista, duas iniciativas foram selecionadas.

Em Santo André, a Sabina Escola Parque do Conhecimento foi reconhecida pela adaptação de seu acervo interativo e pela capacitação da equipe em Libras.

Em São Bernardo do Campo, a Linha Inclusiva no Turismo Industrial aproxima pessoas com deficiência do parque fabril da cidade, relacionando turismo, identidade local e inclusão.

Interior usa tecnologia e participação comunitária

No interior paulista, a acessibilidade também aparece em iniciativas ligadas à cultura, patrimônio e eventos tradicionais.

Em Socorro, a Rede dos Sonhos foi reconhecida pela adaptação de equipamentos e atividades de ecoturismo, turismo de aventura e turismo rural.

Em Jundiaí, a Festa da Uva/ExpoVinho foi selecionada pelas ações de acessibilidade incorporadas ao planejamento do evento, incluindo a participação de pessoas com deficiência.

Em Holambra, a tecnologia foi utilizada para ampliar o acesso ao patrimônio histórico. O projeto de realidade virtual no Moinho Povos Unidos permite que pessoas com mobilidade reduzida tenham uma experiência imersiva do interior do monumento sem necessidade de alterar sua estrutura.

Já em Tupã, o Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre foi reconhecido pelo trabalho de construção de um acervo tátil realizado com participação de povos indígenas e pessoas com deficiência.

Turismo acessível ganha espaço no estado

Para o Governo de São Paulo, o levantamento tem como objetivo identificar, analisar e divulgar iniciativas que possam contribuir para tornar os destinos turísticos mais inclusivos.

Segundo a Secretaria de Turismo e Viagens, o mapeamento também busca estimular a multiplicação dessas práticas em diferentes regiões.

A lista reúne experiências bastante diferentes entre si: enquanto cidades do litoral trabalham com praia, banho de mar e esportes náuticos adaptados, municípios do interior apostam em tecnologia, patrimônio, eventos e turismo de aventura. Na capital, museus e grandes eventos aparecem como referências em acessibilidade.

No Litoral Norte, os projetos de Caraguatatuba, São Sebastião e Bertioga mostram como a acessibilidade pode ser incorporada a diferentes experiências turísticas, especialmente em uma região conhecida pelas praias e pelo turismo de natureza.