Por Meon Em Blog e Colunas

Valorização da vida: onde começa?

Setembro amarelo e suas discussões sobre o comportamento humano

Inquestionável a importância deste mês. Mas vamos contextualizar? O que levou a necessidade da criação desta época, desta campanha?

Somos umas das poucas espécies que praticam suicídio, um a cada 40 segundos, segundo uma pesquisa de 2019. 

Outra pesquisa afirma que aumentou muito ( de 6 para 23,5 ) o número de depoimentos e relatos de como as pessoas estão se sentindo, e que pensam no suicídio como solução final. 

Isto mostra que o abrir-se um mês inteiro para se falar maciçamente sobre o tema tem surtido efeito, já que a pessoa em sofrimento extremo percebe que não está sozinha, e que pode encontrar ambientes onde falar, se expor, sem ter minimizadas suas dores.

Uma pergunta bem comum é: “Mas de onde vem esse desejo tão antinatural , que vai de encontro ao instinto de sobrevivência?”

Primeiro, a noção que temos de instinto para o ser humano difere muito da esfera dos outros animais, já que somos dotados da capacidade de escolhas. O que não significa que saibamos fazer boas escolhas pois estas dependem de muitos elementos, um deles ser capaz de pensar em contexto coisa que não é comum na nossa espécie já que precisa ser ensinada para a maioria dos humanos.

Segundo, o ser humano é altamente dirigido pelas suas percepções particulares da realidade, que darão origem as suas emoções e reações a elas – o comportamento.

Daí aqui entra um elemento importantíssimo na prevenção do suicídio: ter um propósito de vida. E isso é implantado muito cedo na criança, a partir do ambiente familiar que ela possui.

Quando uma criança se sente valorizada, apoiada, percebe sua importância ela crescerá mais forte para enfrentar os imensos desafios que a aguardam , que a cada dia ficam mais complexos.

Entenda bem, só quem pode dizer se foi amparada, se sentiu amada, valorizada é a própria criança. Quantas vezes já ouvi pais e responsáveis afirmarem que a criança ou adolescente sempre foi amado, ouvido, mas foram incapazes de responder sobre assuntos básicos do universo emocional do filho.

Ouvir de um adulto pai/mãe/responsável que ele fez tudo para o filho não garante que ele fez o fundamental.

Uma vez ouvi de um jovem que estava quieto no canto de uma escola de cursos profissionalizante, que aquele dia era seu aniversário, eu o parabenizei e ele disse muito triste “ meu pai me deu xxx reais” , como eu percebi que algo sério estava acontecendo, perguntei “ mas isso é bom ou ruim”, daí ele fala: “ eu só queria um abraço.” E as lágrimas contaram o que a boca não conseguia mais falar.

Quantas bocas fechadas em casa, quantas dores não compartilhadas, medos, terrores noturnos, abusos verbais e sexuais nossos jovens estão vivendo e os pais nada percebem.

Quantas vezes nestes trinta anos de prática eu ouvi: ‘eu nunca falei isso para ninguém”

Valorização da vida? Sim, mas precisa começar por aqueles que fizeram o primeiro palco para esta criança se preparar para a vida.

Muita proteção significa falta de amor. Super proteção mostra que há uma projeção muito forte em cima da criança dos medos, dissabores , frustrações dos pais; mas a falta de tempo, o cansaço, as inúmeras prioridades que passam na frente da relação pais e filhos também é falta de amor.

Amor não é intenção, é atitude.

Temos pais/mães despreparados para o gigantesco papel que os espera de um lado, e filhos solitários, com um celular na mão, de outro.

Até quando?

A sugestão é vencer o cansaço através de atividades prazerosas, que envolvam corpo e movimento, o mais simples possível, e começando em uma idade muito precoce. Por que a resistência vai ser grande se isto começar aos 15. Grande , mas não impossível de ser quebrada.

Uma vez, levei um grupo de pais e filhos para brincar no Parque burle Marx, em São José, e um menino de 9 anos veio muito espantado, falar comigo...”silvana, eu nunca tinha visto meu pai tão feliz!”...e tudo o que fizemos foi brincar de queimada, pular corda, pique bandeira e outras pérolas da minha infância.

Setembro amarelo, sim...valorização da vida sim....mas precisamos construir segundas feiras alegres, terças feiras de leitura, quarta feira da pipoca.....aí sim diante dos enormes desafios do crescer e do ser adulto, esse indivíduo vai ter onde se apoiar porque a base foi sólida, fortaleceu a auto estima, a sensação de que existem alternativas, e ainda há estratégias a serem tentadas, antes da desistência final.

Se os valores ensinados através das atitudes silenciosas dos adultos a volta da criança e adolescente , mostram que o importante são as conquistas materiais, que as prioridades são relacionadas a proporcionar conforto material (mas não um coração quentinho), as melhores escolas ( mas sem as historias na hora de dormir) a super tv na sala ( e o cobertor com pipoca?) está sendo passado de forma não verbal que existem tantas coisas mais importantes do que esta criança/adolescente. E porque ela iria se preocupar em manter uma vida que a está desgostando, e da qual ela sente tédio, medo, incertezas e solidão?

Enquanto escrevo passam na minha memória as centenas de histórias que ouvi destes seres que os pais tinham certeza que estavam fazendo o melhor, mas não o mais importante.

 Eu continuo este tema no Youtube: terapia das notas, valorização da vida e família.

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