Bruno Miranda foi o criador da arte para campanha de marca de móveis da Arábia Saudita
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Quando foi contratado pela agência Memac Ogilvy, de Dubai, o ilustrador Bruno Miranda, de São José dos Campos tinha um desafio: dar um toque de arte ao layout da campanha promocional de uma empresa de móveis modulares da Arábia Saudita. Porém, Miranda foi além das expectativas. Aliando pesquisa do tema ao talento natural, o profissional transformou a ideia em uma verdadeira obra de arte. O resultado: três Leões de Ouro e um Leão de Prata no Cannes Lion, o Festival Internacional de Criatividade.
No evento, que aconteceu entre os dias 18 e 25 de junho, o trabalho que Miranda desenvolveu junto com a agência levou dois Leões de Ouro na categoria Outdoor, mais um de ouro e outro de prata na categoria Print.
A proposta da agência era mostrar como, com o valor de alguns objetos do cotidiano, é possível adquirir um móvel modular da marca anunciante. Nesse contexto o preço somado de objetos como selos postais ou pastas de dente seria o equivalente a um móvel.
“A expectativa pra essa campanha era uma boa adesão da ideia e gerar esse impacto, de que, por exemplo, pelo preço de 26 selos postais dá pra comprar uma cama. A diretora de criação, Juliana Paracencio, outra brasileira no projeto, teve a ideia e elaborou um esboço. Eu recebi esse esboço e comecei a pesquisar referências e detalhes dos produtos, pois ela queria que ficasse o mais real possível, queria dar a impressão de que eram fotos ao invés de imagens em computação gráfica”, explica.
Artes ganharam outdoors e revistas
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Foram cinco artes desenvolvidas pela agência. Elas foram divulgadas em outdoors e em mídias impressas da Arábia Saudita. As artes vinham acompanhadas da frase “is that affordable”, que pode ser traduzido para o português como “isso é acessível”. Além dos leões em Cannes, o trabalho também foi premiado em festivais como o LYnx e o D&AD, que também contam com repercussão mundial.
Comemoração e desabafo
Embora ressalte sempre que pode que faz parte de um trabalho em equipe e que o prêmio é de todo o time, o ilustrador se diz satisfeito com a conquista. De acordo com ele, o prêmio é fruto de um esforço intenso durante um mês e abre caminhos para novos horizontes.
“Esses prêmios geram outros convites para ilustrar outras artes, dá uma visibilidade internacional à minha arte e dá mais credibilidade na relação entre ilustrador e agência, pois uma boa ideia sem ter uma boa execução realmente é um erro grave”, comenta.
Entretanto, mesmo realizado com a premiação, quando o assunto se volta para a realidade da publicidade e do trabalho de arte no mercado do Vale do Paraíba, Miranda desabafa sobre a falta de valorização para o ilustrador na realidade regional.
“Aqui no Vale, devido à demanda e verbas dos clientes, o ilustrador não é valorizado ou não é dado o valor para a execução da ideia. Às vezes vemos uma ideia muito legal mal executada. Acredito que se mudarmos esse pensamento e começarmos a valorizar a arte do ilustrador, as ideias serão transmitidas de maneira mais agradável e terão mais impacto. Os prêmios são só uma consequência de um trabalho bem feito”, conclui.
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