Por Inês Ramalho Frison Em Alunos Atualizada em 23 JUL 2021 - 09H36

Godzilla não era para ser um monstro

Quando o filme foi inicialmente lançado, Godzilla representava mais do que só um monstro. Saiba o que aconteceu depois

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução


Quando o filme japonês, Gojira, foi lançado nos Estados Unidos em 1956, o público adorou o filme e esse teve ótimas críticas. O que os estadunidenses naquela época não sabiam era que o longa-metragem não foi criado com a intenção de retratar uma história sobre monstros, mas sim uma crítica social. Uma crítica direta aos Estados Unidos.

Em 1946, depois da Segunda Guerra Mundial acabar, os EUA estavam procurando um lugar para lançar mais bombas atômicas porque tinham percebido que não era seguro testar nos desertos que ocupavam a região central de seu país já que os efeitos da explosão eram maiores do que imaginavam. Decidiram, então, testar em um local remoto, onde havia muito espaço e poucas pessoas, então acharam o lugar perfeito: Atol de Bikini.

A pequena ilha do Pacífico foi evacuada, sob a promessa que seus habitantes teriam suas terras de volta ao fim dos testes, e o bombardeio começou. Como parte da campanha contra a União Soviética, todos os testes eram exibidos e celebrados no mundo todo.

No dia 1° de março de 1954, os soldados no Atol de Bikini detonaram o maior explosivo até então construído. Castle Bravo tinha 15 megatons, mil vezes mais forte que as bombas detonadas no Japão ao fim da Segunda Guerra, e sua nuvem radioativa chegou até algumas partes da Europa. Naquela mesma manhã, um barco de pesca japonês, Daigo Fukuryu Maru ou Lucky Dragon No.5, andava a cerca de 50 km do atol quando presenciaram “o dia em que o Sol nasceu no Oeste”.

A tripulação de 23 membros voltou para o Japão com um barco cheio de peixes contaminados e marinheiros estranhamente doentes e fracos. Em poucos dias, eles foram diagnosticados com envenenamento radioativo severo e pânico sobre os peixes intoxicados se espalhou pela nação, levando ao enterro de milhares de toneladas de salmão.

Os cidadãos japoneses, que já haviam sofrido por radiação de bombas estadunidenses, ficaram indignados com isso. Em poucos meses, uma petição contra testes de explosivos nucleares foi assinada por milhares de pessoas, a primeira Conferência Mundial Contra Bombas A e H foi realizada em Hiroshima, um movimento global antibomba se iniciou e o produtor Tomoyuki Tanaka teve uma ideia para um filme de monstro.

As cenas iniciais do filme mostram um navio, com kanji que diziam Daigo Fukuryu Maru, uma luz muito forte que queima o navio enquanto o operador de rádio tenta desesperadamente chamar alguém. Muitos especularam que Godzilla é uma metáfora para os Estados Unidos, um monstro se vingando nos cidadãos japoneses, porém outros acreditam que a besta representa as armas nucleares.

Dois anos depois, em 1956, o filme Godzilla: Rei dos Monstros foi lançado nos Estados Unidos. Todas as cenas com alguma crítica social foram cortadas, um dos principais pontos da trama foi mudado e um jornalista estadunidense foi adicionado.

Devido ao sucesso do filme, a companhia Toho fez de Godzilla uma franquia com 36 filmes lançados ao longo de quase sete décadas. O monstro gigante se tornou um símbolo de cultura pop e perdeu o sentido original.

Por causa das várias bombas radioativas detonadas no Atol de Bikini, os antigos habitantes não puderam voltar e muitas ilhas na região tiveram que ser evacuadas. Quase 1200 ilhéus tiveram doenças relacionadas à radiação. O Atol de Bikini é considerado mais radioativo que Chernobyl, local do maior acidente nuclear da história.

Com supervisão de Giovana Colela, jornalista do Grupo Meon. 

Escrito por
Ines Frison (Arquivo Pessoal)
Inês Ramalho Frison

1º ano do Ensino Médio - Colégio Embraer Juarez Wanderley - São José dos Campos.

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