Museu de Taubaté expõe réplica de capela que Portinari criou para a avó

Em 1941, Cândido Portinari (1903-1962) construiu uma capela para a sua avó em anexo à fazenda da família que fica na cidade de Brodowski, região nordeste do Estado de São Paulo. O motivo: a “nonna” (avó, em italiano) estava doente de mais para orar na Igreja. Então, o artista que seria autor de “Guerra e Paz”, em 1956, criou um de seus trabalhos sacros mais importantes da carreira.

Escrito por: Renan Simão3 min de leitura
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Obra replica cômodo criado em anexo à fazenda da família do artista

Divulgação

Em 1941, o pintor Cândido Portinari (1903-1962) construiu uma capela para a sua avó em anexo à fazenda da família, que fica na cidade de Brodowski, região nordeste do Estado de São Paulo. O motivo: a “nonna” (avó, em italiano) estava doente não conseguia ir até a Igreja para orar. Então, o artista que em 1956 seria autor de “Guerra e Paz” criou um de seus trabalhos sacros mais importantes da carreira.

A réplica do cômodo da avó de Portinari faz parte da exposição “Capela da ‘Nonna’: Fé, Religiosidade e Arte” e fica aberta à visitação até 28 de setembro, no Museu Monteiro Lobato, dentro do Sítio do Picapau Amarelo, em Taubaté. A entrada é grátis.

Com as mesmas dimensões do original, o quarto tem as paredes pintadas com figuras da fé católica como São Francisco de Assis, Santa Luzia, São Pedro, São João Batista, a Sagrada Família, entre outras, criadas com a técnica têmpera, que faz com que as tintas não escureçam tanto com o passar do tempo e consiste em misturar os pigmentos com um aglutinante, diferentemente da pintura a óleo. Tais imagens santas eram as prediletas da “nonna” e remetem a feições de parentes e amigos da família Portinari.

“É emocionante. Um espaço intimista, pequenininho, desse artista que tem mais de 5 mil obras pelo mundo todo e que pintou por um ato de amor a avó porque ela já não podia mais andar”, afirma a coordenadora do museu Tina Lopes.

Além da capela, a exposição itinerante exibe três documentários sobre as obras do artista fluminense, oferece jogos interativos para crianças e dá acesso a um canteiro de rosas cultivadas pela mãe de Portinari, dona Domingas, as mesmas do jardim de Brodowski.

“Também há uma relação de Portinari com Monteiro Lobato. Portinari já disse que queria ser escritor, como não pôde, dizia que pintava com palavras. E Lobato foi obrigado pelo pai a ser doutor, se não o fosse, queria ser pintor”, afirma Tina.

Lançando mão da técnica têmpera, ele concebeu murais dos santos prediletos da avó com fisionomias de familiares e amigos.

Pipas
Os visitantes também podem participar da oficina pedagógica “Pipas de Portinari” em que monitores vão confeccionar pipas com as crianças no pomar do Sítio.

A turma do Sítio também realiza a apresentação teatral “Vamos Caçar o Saci”, que conta a história de Tia Nastácia ensinando à Emília e sua turma os truques e lendas de como capturar o esperto Pererê.

Para as sessões de teatro serem realizadas é necessário um público mínimo de 20 pessoas e as senhas vão ser distribuídas 30 minutos antes de cada apresentação.

O Sítio do Picapau Amarelo funciona de terça-feira a domingo, das 9h às 17h, na avenida Monteiro Lobato, s/n, no bairro Chácara do Visconde.

“CAPELA DA ‘NONNA’: FÉ, RELIGIOSIDADE E ARTE”
Quando: de terça-feira a domingo, das 9h às 17h, até 28 de setembro
Onde: Sítio do Picapau Amarelo – avenida Monteiro Lobato, s/n, Chácara do Visconde, Taubaté.
Quanto: grátis
Mais informações: (12) 3625-5062

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