Falta de repasse afeta atividades e infraestrutura da Unifesp de S. José
Flavio Pereira/Meon
A falta de repasse do Governo Federal já está afetando as atividades e infraestrutura do campi da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) em São José dos Campos. Na última semana, a universidade emitiu uma moção informando sobre a possibilidade de paralisação das atividades.
"O campi de São José acompanha essa situação, temos um orçamento pra toda a Unifesp. [A falta de repasse] afeta as nossas atividades também. Se o governo não liberar, não sabemos o que vai acontecer, vão acabar os recursos pra pagar as contas", afirma o diretor acadêmico da Unifesp de São José, Luiz Leduíno de Salles.
"O Conselho Universitário da Unifesp vem a público manifestar extrema preocupação com a falta de recursos orçamentários e financeiros para a manutenção das atividades mínimas das universidades, em razão do contingenciamento de 20% do orçamento previsto na Lei Orçamentária Anual e da não liberação de recursos financeiros correspondentes".
De acordo com a universidade, o orçamento para a instituição tem sido insuficiente para manter as atividades, inclusive para despesas básicas, como água, energia, limpeza, segurança e aluguel de estruturas necessárias para a adequada atividade de ensino, da pesquisa e assistência nos seus seis campi.
Segundo Leduíno, atualmente no campi da universidade em São José há três principais demandas prejudicadas pela falta de repasse. "Estamos com uma deficiência de livros, equipamentos de laboratório de ensino e uma antiga demanda que é a construção de um novo prédio", diz. "A biblioteca não corresponde à qualidade que a Unifesp tem", completa.
Ainda de acordo com Leduíno, o campi de São José já esgotou as possibilidades de redução de despesas. "Reduzimos nosso orçamento mensal que agora gira em torno de R$ 400 mil, dependemos da comida consumida no restaurante. Reduzimos em 25% todos os nossos contratos e não temos mais como fazer cortes. Se isso acontecer, começa a afetar nossas atividades", conta. Há um ano, o custo da unidade joseense girava em torno de R$ 500 mil.
Apesar da reitora da Unifesp ter anunciado que toda a instituição está com uma dívida de R$ 12 milhões neste ano, Leduíno afirma que o campi de São José não possui déficit. "Nosso campi não tem dívidas", diz. "Mas o futuro é incerto", completa. Em abril do ano passado, a unidade de São José estava com uma dívida de R$ 400 mil.
Ainda na moção divulgada, a Unifesp informou que o contingenciamento atinge também o PNAES (Programa de Assistência Estudantil), no mesmo percentual, "sendo insuficiente para atender as despesas, em especial os Restaurantes Universitários", diz em nota.
"Este manifesto tem a finalidade de divulgar o risco de suspensão das atividades da universidade, caso não sejam liberados imediatamente os 20% dos recursos orçamentários contingenciados e aporte de recursos financeiros para honrar os compromissos. Se o Governo Federal não cumprir o estabelecido na lei orçamentária anual aprovada pelo Congresso Nacional, os recursos orçamentários só serão suficientes para manutenção das atividades de ensino, pesquisa e extensão até agosto de 2016", conclui a moção divulgada pela Unifesp.
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