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Zebu, joseense integrante da Brabo Music Team, leva forró ao mundo na parceria entre Lady Gaga e Pabllo Vittar

Um dos produtores mais procurados da atualidade é um dos responsáveis por diversos hits de Vittar e assina produções com Ludmilla, Anitta e Luisa Sonza.

Escrito por Meon

10 SET 2021 - 18H24

Divulgação/Arte: Gabriel Malta gaga3 (Divulgação/Arte: Gabriel Malta)

Guilherme Santos Pereira nasceu em São José dos Campos e começou sua carreira há seis anos. Hoje, Zebu, como é conhecido no meio artístico, é um dos produtores mais requisitados do mercado fonográfico brasileiro. Este mês, quebrou a banca ao conseguir o improvável, levar Lady Gaga a entoar um forró no remixe “Fun Tonight” com Pabllo Vittar.

O site Pitchfork resenhou o albúm de remixes “Dawn of Chromatica“ e aclamou a parceria de Gaga e Pabllo, com a mixagem que teve Zebu como um dos produtores.

Além de produtor e DJ, com trabalhos com Ludmilla, Luisa Sonza, Mateus Carrilho, Urias, Anitta, MC Zaac e Tyga, “Desce Pro Play (Papapa)”, o artista lançou um álbum em 2020, durante a pandemia. “ZB1” é um recorte da formação do DJ diretamente influenciada por Jack Ü, Flume e até a banda emo colorida, Cine.

Divulgação/Arte: Gabriel Malta
Divulgação/Arte: Gabriel Malta
Zebu, joseense integrante da Brabo Music Team, leva forró ao mundo na parceria entre Lady Gaga e Pabllo Vittar


Com três faixas, “IKY”, “IFY” e “ILY”, o projeto passeia entre future bass, house e twerk. Em uma entrevista exclusiva para Metrópole Magazine, Guilherme fala sobre sua vida em São José dos Campos, suas referências e a satisfação de estar na órbita da rainha do pop.

1 - Quais suas referências em São José dos Campos? Quem era o Zebu antes de ser um dos produtores de maior êxito na música pop hoje no Brasil?

Sempre fui bem ligado no circuito de bandas de São José, fiz parte em 2009 da Made in Mars e da Guaritaz entre 2010 e 2012, nesse período a gente chegou a tocar em todos os festivais que eram adequados pra nossa idade na época, Tênis Clube, Poliedro, Objetivo, Anglo e também tocávamos bastante no Hocus Pocus. Acho que desde essa época gostava muito mais do ensaio, da gravação do que do palco mesmo. Sempre que íamos gravar ficava observando o engenheiro de som, para entender um pouco da gravação, e no fim nunca gostava de deixar o cara do estúdio fazer o trabalho final. Mesmo tendo entre 15 e 16 anos acho que era meio chato (risos), levava as pistas gravadas pra casa e ficava mexendo nelas, pensando: “Pô deve ser ótimo trabalhar com isso”.

2 - Quando você descobriu que a música era a plataforma que seguiria em sua jornada? Qual foi a primeira vez que você parou, ouviu e disse: Quero fazer música!

A música em si sempre fez bastante parte da minha família, meus pais sempre gostaram muito de ouvir muita música, fazer festas com rodas de violão. Meu pai ganhou um violão no aniversário dele uma vez, e eu acabei me apropriando dele. Meu tio Sylvio e ele me ensinaram a tocar quando tinha meus sete, oito anos (estou com 27 agora) e acho que desde então não passo um dia sem mexer em alguma coisa de música, tocar um instrumento, gravar alguma coisa. Sempre tive muita certeza de que eu queria trabalhar com isso e nunca fiz a menor ideia de como entrar efetivamente nesse meio. Acabei dando uma sorte imensa com algumas coisas que eu postava na internet em 2015-2016 e chamaram atenção organicamente de algumas gravadoras, e eu acho que foquei sempre em construir muitas pontes e não desperdiçar absolutamente nenhuma oportunidade, então creio que foi muito natural mesmo esse processo.

3 - O mercado fonográfico precisou se reinventar por conta da internet, essa mudança comportamental, que exclui de rádios e televisões a premissa de "estourar" facilitou o sucesso de vários artistas. Como "surfar" nas plataformas existentes e conquistar seu lugar na música?

É extremamente positivo, rolou uma inversão dos poderes. Obviamente o dinheiro e os contatos ainda imprimem um papel na carreira de muitos artistas, mas é ótimo ver de dentro que isso não é mais 100% essencial, definir o que é sucesso faz parte do papel do público como nunca antes. Agora, como conseguir seu lugar, acredito que não tem muito mistério: é fazer material e lançar. A internet e a democratização da tecnologia abriram muito o leque, porque se você é um artista que fala muito bem para um determinado público, você consegue juntar uma base de fãs que pode ser demograficamente espalhada, gravar o seu material em um notebook, subir em qualquer distribuidora, e aí se você achar vantajoso assinar com alguma gravadora você já tem um material, já tem fãs, e consegue fazer uma negociação trazendo uma força maior. Sinto que muitas pessoas ainda ficam esperando uma chance para serem descobertas, acho que isso é uma mentalidade um pouco antiquada. Com a tecnologia de hoje a distância entre o “caseiro” e o “profissional” caiu muito, muitas músicas que eu faço hoje são 100% feitas num notebook e gravadas com essas interfaces caseiras. Outra coisa é que o ouvido de muitas pessoas já se acostumou com outros tipos de gravações além daquele ultrapolido, existe a estética de som estourado, bateria alta pra tocar em paredão e aí vai. Acho que o importante é você pensar na sua música com inteligência e o que você quer com ela. Se ela cumprir o que você tava pensando tá valendo.

4- O que você ouve quando está em casa, sozinho, trancado literalmente no closet. Há uma música ou um artista que você ama escondido de todos?

Esse negócio de esconder nunca tive muito não, sou muito, muito fã de música pop, mas ouço muito de tudo, tanto pra me manter atualizado (novidades do maior número de países possíveis) quanto pra me divertir: sempre acho que qualquer tipo de música que as pessoas gostam tem alguma coisa pra ensinar . O lado mais triste de trabalhar com música é que dificilmente eu acabo escutando muita música trabalhando, mas se pudesse dizer qual meu tipo favorito de música com certeza seriam as tristes, as baladas. Acho que o ser humano gosta muito de compartilhar tristeza, e por isso acho que as músicas tristes/emocionantes são as que duram mais.

5 - Como foi seu primeiro encontro com a Pabllo Vittar? Quais as referências que ela pede para imprimir nas canções que interpreta?

Em 2017 eu era DJ em algumas festas e em fevereiro dividi palco com o Maffalda (na festa Young, em São José, inclusive), que produzia a Pabllo (na época fazendo muito sucesso com “Todo Dia”). Ele acabou me chamando para fazer um dos remixes do álbum Vai Passar Mal, e depois, a equipe da Brabo que ainda estava em formação pediu pra todos os DJs que fizeram remixes mandarem instrumentais e ideias para o próximo CD. Acabei fazendo dois, um péssimo e um que gostaram muito. No fim, falaram que fui o único que mandou, e me chamaram para passar uma semana em um hotel, compondo e produzindo. Fizemos nessa semana cinco músicas (“Trago seu amor de volta”, do instrumental que eu tinha mandado, “Não Vou Deitar”, “Flash Pose” - que só saiu em 2019, “Bandida” da Cleo e “Parceira” da Pepita) e nos demos muito bem, tanto entre os produtores da Brabo Music quanto com a Pabllo. Gosto muito de trabalhar com ela, porque é uma artista que não tem medo de absolutamente nada. O ódio gratuito que sofre já é enorme então não tem muita amarra, ela traz muitas referências da música do Norte e Nordeste e muita coisa do pop alternativo global, a música eletrônica underground, é uma grande salada (risos) e fazemos o possível para imprimir tudo isso nas músicas junto, sempre tentando manter tudo muito acessível para o maior número de pessoas.

Divulgação/Arte: Gabriel Malta
Divulgação/Arte: Gabriel Malta
Zebu, joseense integrante da Brabo Music Team, leva forró ao mundo na parceria entre Lady Gaga e Pabllo Vittar


6 - O atual momento que vivemos no Brasil, onde os direitos humanos são relegados, e a ausência do diálogo está cada vez mais constante, instiga você a trabalhar para que o palco da música inspire as pessoas ao respeito as diferenças?

Para mim é um privilégio trabalhar com pessoas tão alinhadas com esse discurso de respeito à diversidade, aprendo muito no estúdio, e acho muito legal ter a mentalidade de que a música que você faz é parte de algo muito maior, que leva esperança pra muita gente e também abre muitas discussões. No fim, o trabalho do produtor é deixar o estúdio ser o lugar mais confortável do mundo para o artista ser quem ele é e ajudar a amplificar o que ele tem a dizer, então me sinto muito feliz de poder ajudar nem que seja com o mínimo.

7 - Você praticamente entrou em um casulo com a pandemia e dessa imersão surgiu seu álbum “ZB1”. Como foi no fundo encontrar você mesmo em um trabalho autoral?

Olha, vou ser bem honesto, nunca me vi muito como artista, acho que o lado dos bastidores me interessa muito mais. Só que no meio da pandemia, com um pouco de tempo a mais, pensei que deveria tentar alguma coisa. Tentei e acho que fazer um trabalho sozinho só abriu um pouco os olhos de que eu realmente gosto de trabalhar com outras pessoas. Mas fiquei satisfeito com as músicas que saíram!

8 - Como produtor, qual sua dica para uma música martelar na cabeça e grudar como chiclete?

Por mais estranho que pareça, para mim e para o pessoal que trabalha junto comigo, é não tentar muito. A gente tem a mania de dizer que a palavra “hit” é proibida dentro do estúdio, o importante é fazer uma música que ali dentro a gente gosta, acredita e se divirta. É óbvio que tem que ter um pouco de inteligência ao pensar na música como ouvinte, se é uma música para dançar, ela está fazendo a gente dançar? Não está chata? A mesma coisa com música para sofrer, música pra refletir etc. Acho que o mais importante é a filosofia de um produtor que admiro muito, o Denniz Pop que é: a música não pode ser chata, seja qual ela for. No mundo de hoje, com internet, Tiktok etc, as coisas são muito orgânicas, então ser legal é fator mais importante.

9 - O encontro das divas universais, Pabllo e Lady Gaga. Relate para nós sua sensação de ser lançado para as galáxias com esse convite?

Fiquei completamente atônito, realmente não acreditava, foram alguns dias para cair a ficha e conseguir efetivamente trabalhar nisso. Sou muito, muito fã da Lady Gaga e também entendo que a gente tinha um dever com a Pabllo de entregar algo que fosse muito impactante, porque essas oportunidades não aparecem todo dia. No fim, nos acalmamos e aí fizemos algumas versões da música, mas Pabllo optou pela nossa favorita (a mais brasileira de todas), o que achei um ato de coragem mas também de uma inteligência muito grande. Lady Gaga lançando um forró me parecia a coisa mais inacreditável do mundo, e hoje está aí! Agora espero que venham outros, adoraria trabalhar com ela em algo inédito, não custa sonhar, não é?

10 - Finalizando, qual sua mensagem para os milhares de jovens que querem forjar suas coexistências nesse planeta por meio de suas canções?

Que responsabilidade (risos). Não sei de quase nada, mas minha experiência curta nesse mundo da música me levou a acreditar que quando as coisas são feitas de maneira natural, por pessoas que se dão bem e se divertem no processo, a chance de muita gente gostar é bem maior. Então a ideia é não pensar muito, e se você não estiver se divertindo, tem algo de errado!

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