Por Fabiano de Paula Porto Em Blog e Colunas Atualizada em 11 SET 2020 - 11H30

A era dos carros elétricos e as três ameaças para a sociedade que devemos evitar

Já temos 1 bilhão de veículos produzidos e o custo energético para produção de um carro é elevadíssimo!

Os veículos elétricos expandem rapidamente por todo mundo e já vemos se multiplicar os modelos e tecnologias disponíveis, cada dia mais acessíveis. Porém, observando as notícias e estratégias comerciais adotadas pelas principais empresas do setor, e conversando com profissionais e especialistas da área, percebo que se seguirmos nessa “inércia comercial” que vemos atualmente, existem grandes riscos de anular (e até reverter) todos os potenciais benefícios, em termos de mobilidade e sustentabilidade, que os carros elétricos podem oferecer ao futuro da sociedade.

Pode-se observar esse cenário com as projeções de crescimento para os próximos anos:





1º Risco - Renovação da Frota Apesar de tentador, o melhor caminho para nossa civilização definitivamente não é produzir novamente toda a frota global em carros elétricos. O discurso vigente de consumo e compra de novos veículos mostra-se absolutamente insustentável e inviável a médio/longo prazo.

Já temos 1 BILHÃO de veículos produzidos e o custo energético para produção de um carro é elevadíssimo! Além da metalurgia e milhares de partes e componentes, apenas em termos de uso de água, são necessários 400 MIL litros de água para produção de apenas um carro. Nosso planeta não aguentará esta carga de renovação de frotas.

Oportunidade: melhor caminho é a adaptação dos carros atuais, primeiramente para híbridos (gasolina/elétrico) e, depois 100% elétrico. Como atualmente existe com Gás, que inicialmente foi desacreditado e hoje é seguro e confiável. Felizmente já existem diversas startups e novos negócios que estão desenvolvendo formas eficientes de realizar esta adaptação.

2º Risco – Tecnologia de Baterias: Temos que abandonar o mais rápido possível a utilização do Lítio para produção das baterias. Além de caro e pesado, este minério é ainda mais escasso que o petróleo e está nas mãos de pouquíssimos países (por sinal, curiosidade, o Afeganistão abriga um dos maiores reservatórios de lítio do mundo...).

Outro ponto adicionado por Fábio Makita, engenheiro dedicado a projetos de inovação há mais de 30 anos, é o fato da periculosidade das baterias de Lítio. Segundo Makita, todas elas são como "bombas" e oferecem risco real de explosão. Exige conhecimento mais avançado para manusear. Imagine a popularização desta tecnologia com mecânicos sem treinamento adequado fazendo manutenção em toda a frota?

Oportunidade: A solução que já existe e avança a passos largos em centros de pesquisa são as baterias de Grafeno (criadas a partir do carbono, material mais abundante do planeta) ou as orgânicas (que eliminam metais). Por enquanto ainda são experimentais e caras, mas possuem um grande potencial de se tornarem muito acessíveis, além de serem extremamente leves, resistentes e totalmente sustentáveis.

3º Risco – Autonomia e abastecimento: Temos que parar de aceitar esta ideia de ABASTECER carro elétrico! Isso serve apenas para manter o sistema de controle e vigilância da sociedade e perpetuar o paradigma da escassez do combustível, obrigando as pessoas a irem periodicamente a lugares definidos e pagar pela carga. Já existem INÚMERAS tecnologias para carregamento das baterias pelo movimento das rodas, tintura do carro, vento do radiador, painéis solares, etc. Afinal, estamos falando de um objeto de toneladas movendo-se a mais de 100km/h. Haja energia produzida por diferentes fontes!

Oportunidade: A solução já existe e trata-se dos veículos elétricos autorecarregáveis energeticamente, que oferecem total liberdade e autonomia, necessitando apenas de visitas esporádicas para óleos e fluídos internos. Eles também podem ser carregados como os carros tradicionais. Se você nunca viu um desses carros, pode clicar aqui, aqui ou aqui para conhecer três iniciativas (existem muitas outras, e até um carro movido a água salgada que faz de 0 a 100 em 6 segundo. Veja aqui).

Enfim, as soluções para revertermos esses três riscos em oportunidades já existem ou avançam rapidamente, e oferecem potencial de serem colocados em escala industrial dentro de poucos anos. Infelizmente a curto prazo devemos continuar vendo o mesmo discurso de consumo e uso de materiais insustentáveis, porém as novas soluções estão se multiplicando e o desenvolvimento tecnológico pode surpreender trazendo novos padrões inovadores de início, mas óbvios e naturais com o tempo. Assim como a humanidade foi “surpreendida” pelo iPhone ou Facebook, também poderemos nos deparar com novos conceitos e formas de produzir veículos elétricos que tornará obsoleto os modelos atuais e oferecerá uma nova forma mais inteligente e sustentável de vivenciar a mobilidade no dia a dia.

Escrito por
Fabiano Porto (Arquivo Pessoal)
Fabiano de Paula Porto

Jornalista, especialista em Gestão de Mídias Digitais e Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral. Presidente da Organização Social Instituto Regeneração Global.

Mentor de startups na Founder Institute com ênfase em Negócios de Impacto e ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável). Possui 15 anos de experiência na área de comunicação, sendo mais de 10 anos como diretor de agência de marketing digital (Tec Triade Brasil).

Palestrante e professor em inovação, empreendedorismo e gestão em comunicação, com atuação na FAAP e atendimento direto a mais de 80 empresas em projetos de marketing digital.

Pelo Sebrae/SP palestrou em mais de 22 cidades do Estado de SP. Também atuou por dois anos como Diretor do Capítulo de SJC da ABRADI (Associação Brasileira de Agentes Digitais) e foi Vice Presidente do Instituto Nikola Tesla.

fabianopporto@gmail.com

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