Por Do Meon Em Cultura

Abertura da Flim 2016 debate o tema da edição

Curador do evento Alberto Martins e o poeta José de Souza Martins conversam sobre “A Literatura e as Cidades”

Flim

Flim 2016 (Festa Literomusical do Parque Vicentina Aranha) começa nesta sexta (16)

Divulgação

O crítico literário Álvaro Lins escreveu em 1942, no ensaio , que “a territorialização localista seria o modo mais autêntico e legítimo, para expressar a identidade nacional”.  Lins, usou a cidade de Salvador e as obras de Jorge Amado e Marques Rabelo para analisar as representações da cidade e da ficção dos anos 30.

Não foi o único, não foi o primeiro e nem o último a perceber que a relação entre cidade e literatura é mais íntima do que apenas o cenário de uma trama. É nesse contexto aprofundado que a Flim 2016 (Festa Literomusical do Parque Vicentina Aranha), em São José dos Campos, propõe seus diálogos. Logo na abertura, dia 16, às 19h15, o curador do evento Alberto Martins e o poeta, escritor e professor José Souza Martins retiram o primeiro desdobramento do tema infinito.

A mesa “Cidade, Cotidiano e Literatura” encontra em seu cerne as mesmas questões levantadas pelo ensaio de Lins nos anos do modernismo brasileiro, mas com a vantagem de termos uma bagagem literária muito maior, assim como cidades maiores.

“Num país em que o mundo rural é tradicionalmente uma referência literária, o fato de que a cidade também compareça como cenário e referência de literatura é um fato interessante e mesmo instigante: o que significou essa passagem. Até porque o Brasil continua tendo uma ponderável parte de sua população no campo e o campo continua sendo um terreno de desafios interpretativos que ficam melhor situados na literatura. Por que os escritores brasileiros já não se interessam pelos instigantes temas do campo?”, pergunta José de Souza Martins.

Nesta perspectiva, indagar sobre as representações da cidade na cena escrita construída pela literatura é, basicamente, ler textos que lêem a cidade, considerando não só os aspectos físico-geográficos (a paisagem urbana), os dados culturais mais específicos, os costumes, os tipos humanos, mas também a cartografia simbólica, em que se cruzam o imaginário, a história, a memória da cidade e a cidade da memória. É, enfim, considerar a cidade como um discurso, verdadeiramente uma linguagem, uma vez que fala a seus habitantes: falamos a nossa cidade, onde nos encontramos, quando a habitamos, a percorremos, a olhamos, como propõe Roland Barthes, no ensaio "Semiologia e urbanismo".

“O que instiga é a cotidianidade, as dissimulações e a teatralidade que a caracterizam, o duplo ser humano que gera e reproduz, o falso e alienado da modernidade que é a contraface da cotidianidade. Por outro lado, pensar a literatura pelo ‘papel’ que possa ter, pode envolver o risco de pressupor que literatura se mede pela utilidade, o que leva a pressupor sua inutilidade. A literatura é o que é, uma modalidade de consciência  estética do nosso nós, uma concepção bela do mundo e da vida, mesmo onde e quando o mundo e a vida são feios”, argumenta José de Souza Martins.

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