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Holocausto brasileiro: uma atrocidade pouco conhecida

Inaugurado em 1903, o Hospital Colônia de Barbacena abrigou diversos pacientes durante o século XX - e resultou em mais de 60 mil mortos. 

amanda manso

Escrito por Amanda de Lima Manso

25 MAI 2022 - 16H19

Luis Alfredo

Popularmente conhecida por “Auschwitz mineira”, a cidade de Barbacena foi palco de uma das maiores tragédias ocorridas no país. O Hospital Colônia foi anteriormente um sanatório de tuberculose e virou um manicômio após o fim do surto da doença pulmonar. A instituição final, em alusão à “solução final” do nazismo, foi sustentada pela teoria eugenista, justificando os abusos e atitudes desumanas contra os pacientes.

Logo no início, o escritor Guimarães Rosa atuou como médico voluntário durante a Revolta Constitucionalista de 32, chegando a descrever em sua obra “Sorôco, sua mãe, sua filha” o “trem dos loucos”, transporte que levava pessoas de todo Brasil até a estação Bias Fortes, no hospital. O conto, escrito em 1962, imortalizou o sofrimento de milhares de pessoas que tiveram uma viagem sem volta para o inferno.

O Colônia, atendendo ao interesse dos 28 políticos que governaram Minas Gerais entre o início e fim do manicômio, utilizou do coronelismo para preencher as vagas de emprego das funções que eram necessárias. Jânio Quadros, o “vassourinha”, colocou o aparato governamental em favor da mudança das condições oferecidas. No entanto, nada foi resolvido. 

Luis Alfredo
Luis Alfredo


Registrando uma média de 16 mortes por dia, inúmeras pessoas foram internadas sem motivos. Diversos homossexuais, militantes políticos, crianças e adolescentes grávidas foram enviados à instituição sem necessidade, já que o lugar não era de tratamento, mas sim, de despacho de seres humanos.

Assim, o ambiente se tornou símbolo do genocidio pouco conhecido no país. Além da doação de bebês nascidos dos internos, os corpos mortos eram vendidos a faculdades, devido a superlotação de defuntos. A realidade só mudou quando Basaglia, renomado psiquiatra italiano anti-manicômio, utilizou de sua voz para denunciar internacionalmente as condições do Colônia, juntamente com psiquiatras brasileiros. O documentário “Em nome da razão”, produzido pelo cineasta brasileiro Ratton, em 1979, também mostrou as atrocidades do hospital.

Luis Alfredo
Luis Alfredo

Hoje em dia, o prédio principal do antigo hospital se tornou o “Museu da Loucura”, e os sobreviventes da brutalidade continuam recebendo apoio psicológico de clínicas humanizadas após o desligamento do Colônia na década de 80. Dessa forma, a conscientização a respeito da assistência psicológica é incentivada, para que atitudes precárias como essa não aconteçam mais. 

Com supervisão de Yeda Vasconcelos, jornalista do Meon Jovem. 





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amanda manso
Amanda de Lima Manso

1ª ano do Ensino Médio - Colégio Embraer Juarez Wanderley - São José dos Campos

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