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Criminosos usam “Golpe do WhatsApp” para roubar dados pessoais e dinheiro

Somente em 2020, houve o registro de 5 milhões de vítimas em todo o Brasil

Escrito por Vanessa Nascimento

10 JUN 2021 - 16H17 (Atualizada em 10 JUN 2021 - 16H38)

Samuel Strazzer / Meon WhatsApp Celular Golpe celular (Samuel Strazzer / Meon)

Você já recebeu uma ligação dizendo que está participando de uma pesquisa ou uma mensagem em suas redes sociais te convidando para participar de um sorteio? Dessa forma, sorrateiramente, os bandidos solicitam o código de seis dígitos e conseguem replicar a conta de WhatsApp em outro celular. A partir daí, os criminosos enviam mensagens para os contatos da pessoa, fazendo-se passar por ela, pedindo dinheiro emprestado.

Foi o que aconteceu com Pedro (nome fictício de uma vítima por denuncia anônima), morador de São José dos Campos. Ele conta que recebeu uma ligação em seu celular, sendo solicitado para responder um questionário sobre Covid-19. Perguntas sobre se ele teve sintomas, se teve contato com alguém contaminado, entre outras. Ele aceitou participar da pesquisa, porém ao final, o suposto atendente disse que enviaria um código de seis dígitos e que o mesmo deveria informar para finalizar o atendimento. Pedro percebeu que havia algo errado, questionou o “atendente”, que ao ser contrariado, desligou a ligação.

Algo parecido aconteceu com Mariana (outra denuncia anônima), também de São José. Ela recebeu uma solicitação de amizade em seu Instagram. Uma página que ela seguia foi clonada e mandou uma mensagem particular convidando a mesma para participar de um sorteio, solicitou dados e para finalizar a “participação” pediu que enviasse os números que receberia por SMS.

Na euforia, ela mandou os números, sem se dar conta de que era o código de acesso ao seu número de WhatsApp. No mesmo momento que ela enviou os números, seu WhatsApp “desapareceu” do celular e ela percebeu que se tratava de um golpe.


Orientação do Procon

O Procon de São José dos Campos alerta os consumidores para não enviar o código de seis números, pois, depois da clonagem, o golpista passa a enviar mensagens para os contatos da vítima pedindo dinheiro no nome dela.

Segundo Georges Assaad, diretor do Procon de São José, muitas vezes o infrator pede dinheiro para parentes e conhecidos, simulando alguma necessidade urgente.

“Os alvos preferidos são as pessoas idosas, contudo, vemos que todos nós podemos ser vítimas. Portanto, devemos ficar extremamente atentos com contatos que pedem códigos enviados por números de SMS, além disso, é importante ativar a verificação em duas etapas nos aplicativos que possuem essa função”, diz o diretor.

Georges Assaad orienta que, caso caia em um golpe deste, a pessoa deve ligar imediatamente operadora e solicitar a suspensão temporária da linha telefônica. Além disso, recomenda-se a realização de um boletim de ocorrência junto à autoridade policial.

“Após solicitar a suspensão temporária da linha telefônica, vá pessoalmente numa loja autorizada da empresa de telefonia, apresente os documentos pessoais do titular da conta e solicite a transferência da linha telefônica para um novo chip”, orienta.

Procon dá dicas para evitar golpes:

- Não forneça dados, senhas, códigos etc.;

- Não acredite em ofertas de ajuda, sorteio, dinheiro etc. enviadas pelo WhatsApp, redes sociais, e-mails e não clique nesses links;

-Não confie e não compartilhe links e informações dos quais não tenha certeza da origem;

-Não preencha formulários que não estejam nos sites oficiais;

-Baixe aplicativos apenas das lojas oficiais;

-Em caso de dúvidas ou dificuldades, procure um familiar ou amigo que possa ajudar;

- Utilize antivírus no computador, tablet e smartphone;


Golpe do WhatsApp

Segundo dados da PSafe (referência no fornecimento de dados e alertas de cibersegurança para a mídia brasileira), só em 2020, mais de 5 milhões de brasileiros e brasileiras foram vítimas do chamado "golpe do WhatsApp", que consiste em contato fraudulento pelo criminoso buscando acesso aos seis dígitos de acesso remoto ao WhatsApp da vítima.

Para tanto, o criminoso se utiliza dos mais diversos "disfarces", tais como se passar por funcionário de instituição bancária, se passar por colaborador de operadora de cartão de crédito, anunciar "prêmio" vencido pela vítima, dentre outros. Após obter acesso à lista de contatos, inicia a tratativa com contatos próximos buscando a transferência de valores.

Rafael Luiz Silveira Bizarria, advogado, especialista em Direito Penal Econômico e professor em Direito Penal e Processo Penal, explica que a conduta de clonar WhatsApp e pedir dinheiro a terceiros pode configurar o crime de estelionato, uma vez que o criminoso, induzindo a erro a vítima por meio de fraude ou ardil, obtém vantagem ilícita, lesando o patrimônio da vítima.

“No ano de 2021, foi publicada nova legislação em nosso país, criando uma modalidade especial de estelionato justamente para casos de fraudes eletrônicas, elevando a pena deste crime para o patamar de 4 anos a 8 anos de prisão, além de multa, podendo a pena ser aumentada em 2/3 se a prática se der por meio de servidor digital mantido fora do Brasil”, explica Rafael.

O especialista alerta que, para evitar o "golpe", é de extrema importância que o usuário cadastre a "confirmação em duas etapas", criando uma senha para proteger seu aparelho de eventuais golpistas. E, claro, nunca informe o código de seis dígitos a terceiros, independentemente das circunstâncias.

Caso já tenha sido vítima do "golpe", é imprescindível registrar um boletim de ocorrência imediatamente, comunicando o fato ao WhatsApp (support@whatsapp.com) e solicitando a desativação da conta. Além disso, deve haver a comunicação imediata a contatos próximos (amigos, colegas de trabalho, familiares), e também a solicitação a amigos para informar em grupos de WhatsApp o ocorrido.

Caso algum contato do aplicativo transfira dinheiro ao criminoso, deve ser registrado um novo boletim de ocorrência também por este contato, informando à instituição bancária para eventualmente barrar a transferência. Além disso, é importante guardar todas as conversas com o criminoso ("prints").

Com relação a medidas de proteção, a Polícia Civil esclarece que crimes cometidos por meio da internet podem ser registrados em qualquer delegacia, inclusive por meio da Delegacia Eletrônica. É importante que as vítimas procurem entrar em contato com a empresa para confirmar de fato a promoção oferecida e não clique em links desconhecidos. Ao menor sinal de dúvida, não ofereça seus dados pessoais.


Golpes na pandemia e ações dos bancos

Segundo informações do site oficial da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), com o uso mais intenso dos meios digitais para atividades cotidianas durante a pandemia do coronavírus, criminosos aproveitam o maior tempo online das pessoas para tentar aplicar golpes.

Levantamentos mais recentes feitos pela Febraban mostram o crescimento de tentativas de várias modalidades de fraudes em janeiro e fevereiro de 2021 em comparação com o primeiro bimestre do ano passado.


Golpe do Pix

O Pix facilitou a vida dos usuários na hora de fazer transferências e pagamentos, mas também atraiu a atenção de criminosos. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) listou alguns dos golpes mais frequentes praticados dentro novo sistema de pagamentos instantâneos e como criminosos enganam o indivíduo para que ele forneça informações confidenciais, como senhas e números de cartões.

Como o novo sistema permite transferências rápidas e gratuitas a qualquer dia e horário, os estelionatários conseguem sacar ou movimentar o dinheiro rapidamente, reduzindo o tempo da vítima para perceber a cilada e pedir o cancelamento da operação.

Na clonagem, os criminosos enviam uma mensagem fingindo ser funcionários de empresas em que a vítima tem cadastro. Eles solicitam um código de segurança, que já foi enviado por SMS pelo aplicativo, afirmando se tratar de uma atualização, manutenção ou confirmação de cadastro.

Com o código, os bandidos conseguem replicar a conta de WhatsApp em outro celular. A partir daí, os criminosos enviam mensagens para os contatos da pessoa, fazendo-se passar por ela, pedindo dinheiro emprestado por transferência via Pix.

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