Por Victória Ventura Buijs | Colégio Poliedro Em Alunos Atualizada em 02 JUN 2021 - 14H56

Canção de ninar: o sono da eternidade

Livro da autora Leila Slimani evidencia como a sociedade pode levar os indivíduos ao seu extremo

Foto: Reprodução
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O bebê está morto. É com essa frase emblemática que se inicia o livro “Canção de Ninar”, da escritora franco-marroquina Leila Slimani, um livro que apresenta a diferença de classes sociais, maternidade e o papel da mulher na sociedade. Isso acontece quando uma mãe decide voltar a trabalhar e deixa os seus filhos com uma babá que, até então, era “perfeita“. Dessa forma, a história, que é situada na França, começa pelo final, fazendo com que o leitor passe o livro inteiro tentando entender por quais razões a babá teria cometido esse crime.

Louise, a personagem principal, foi contratada por um casal para cuidar de suas duas crianças, após Myriam, a mãe, decidir que estava cansada da vida de maternidade e que deveria voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. Ao longo da narrativa, a babá se torna essencial na vida da família, gerando dependência de ambas as partes, o que passa a intensificar a tensão entre eles. Tensão essa que é construída sutilmente pela autora, assim como a evolução dos personagens.

O livro é narrado em terceira pessoa, o que dá esse olhar onisciente, além de ser construído com capítulos curtos, intensificando a tensão e descrição perturbadora. Por ser onisciente, é possível ver pensamentos e vidas de cada um individualmente, como os de Louise.

Em paralelo à perfeição e sua comparação a uma bonequinha, com unhas arrumadas, maquiagem bem feita e roupa azul, podemos ver a humanização nela, uma pessoa oprimida e à margem da sociedade por causa de sua classe social, que precisou dar mais atenção aos filhos dos outros do que para a sua própria filha.

Além disso, essa “´perfeita babá” também lidava com problemas financeiros e uma vida turbulenta com o seu marido. Essas razões fazem com que a personagem crie uma obsessão pela família com a qual trabalha. Além desses fatores, a história ainda aborda a culpa que muitas mulheres, assim como Myriam, sentem por não darem atenção aos filhos por causa do trabalho, e tendo parceiros que nem sempre ajudam com a organização da casa ou educação das crianças.

Dessa forma, Leila Slimani trouxe a uma narrativa não tão convencional e diversas reflexões. Além de mostrar como as pessoas são frutos da sociedade a qual vivem, esta que acaba por influenciá-las. Portanto, este livro é uma boa recomendação para quem gosta de um thriller que foge do senso comum.

Com supervisão de Giovana Colela, jornalista do Meon Jovem.

Escrito por
Victória Ventura Buijs
Victória Ventura Buijs | Colégio Poliedro

3° ano do Ensino Médio do Colégio Poliedro, em São José dos Campos

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